Gesto do Padre Joaquim Parron durante a estreia do pequeno Davi, de 12 anos, viralizou nas redes sociais. Santuário mantém frentes permanentes para o acolhimento de famílias atípicas.
Um momento de profunda empatia e inclusão verdadeira chamou a atenção de milhares de internautas e fiéis durante uma celebração religiosa em Curitiba. O vídeo da estreia do coroinha Davi Pavim Almeida Ferreira, de 12 anos, que está dentro do espectro autista, alcançou grande repercussão após o reitor do santuário conduzir a situação com naturalidade, paciência e afeto.
O episódio aconteceu durante a missa das 19h no Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizado no bairro Alto da Glória. Enquanto aprendia suas novas funções, Davi movimentou-se pelo presbitério, demonstrou curiosidade e interagiu de forma espontânea.
Diante da agitação natural, o Padre Joaquim Parron interrompeu brevemente a celebração não para repreender, mas para dialogar com a assembleia. Ele explicou com carinho que aquela era a estreia do menino e que ele tinha o direito de estar ali e se expressar.
Ao longo de toda a missa, o sacerdote utilizou gestos suaves para orientar o garoto. Em um dos instantes mais marcantes, o padre sinalizou discretamente para a mãe de Davi, que assistia emocionada nas primeiras fileiras; ao notar, o menino acenou de volta e continuou seu serviço ao altar.
Rede de apoio e estrutura permanente
Embora o vídeo tenha viralizado recentemente, o trabalho do Santuário com a neurodiversidade é contínuo e estruturado. Segundo informações divulgadas pela Arquidiocese de Curitiba, a paróquia desenvolve frentes pastorais que transformam o conceito de acessibilidade em vivência comunitária diária:
- Missas Inclusivas: Realizadas no último domingo de cada mês, às 17h, as celebrações oferecem um ambiente com respeito sensorial e acolhimento focado nas particularidades das pessoas autistas, incluindo uma bênção dedicada aos pais e cuidadores.
- Encontros de Famílias Atípicas: Nas tardes de sábado, o Centro Santo Afonso recebe reuniões programadas para partilha de experiências e fortalecimento psicológico mútuo entre parentes e responsáveis
- Engajamento Ativo: Crianças e adolescentes atípicos não apenas frequentam o templo, mas atuam diretamente na catequese comunitária, na Pastoral dos Coroinhas e, de forma pioneira, começam a ingressar também na Pastoral da Acolhida, encarregada da recepção direta dos fiéis.
Para o Padre Joaquim Parron, o foco do projeto é demonstrar que as pessoas com deficiência não devem ser vistas apenas como indivíduos passivos de caridade, mas sim como agentes ativos dotados de dons fundamentais para a missão da comunidade.








