sábado, setembro 19, 2026
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OPERAÇÃO EREDITÀ: PF desarticula esquema entre máfia italiana e criminosos brasileiros no Porto de Paranaguá

PARANAGUÁ — A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira, a Operação Eredità, visando desmantelar uma organização criminosa transnacional especializada no tráfico internacional de drogas e na lavagem de capitais. A rede integrava membros da máfia italiana e de facções brasileiras, tendo o Porto de Paranaguá como principal entreposto logístico para o envio de cocaína à Europa.

A ação cumpriu sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, acompanhados de ordens judiciais para o bloqueio de ativos financeiros, contas bancárias e sequestro de bens imóveis.

Sucessão familiar e logística do tráfico

A investigação apontou que a estrutura permaneceu ativa mesmo após a prisão de dois líderes mafiosos em Praia Grande (SP), em 2019. Familiares e aliados herdaram o comando da operação, mantendo a interlocução com fornecedores sul-americanos e gerenciando o fluxo financeiro.

O grupo é vinculado a pelo menos 11 apreensões de drogas realizadas entre 2019 e 2020, totalizando mais de 4,6 toneladas de cocaína interceptadas. As cargas tinham como destino países como Itália, Bélgica, Holanda, França e Portugal. Cerca de 2,2 toneladas permaneciam armazenadas no Brasil na época das primeiras prisões e foram posteriormente escoadas pela rede reorganizada.

Blindagem tecnológica e blindagem patrimonial

Para esquivar-se da fiscalização das autoridades, a organização utilizava plataformas de comunicação criptografada e operadores financeiros internacionais. Os lucros obtidos na Europa eram maquiados por meio de:

  • Empresas de fachada;
  • Aquisição de imóveis e bens de luxo;
  • Transferências internacionais clandestinas;
  • Reinvestimento direto em novas remessas de entorpecentes.

Força-tarefa internacional

Fruto de um aprofundamento das operações Retis, Spiderweb, Samba e Mafiusi, a Operação Eredità operou por meio de uma Equipe Conjunta de Investigação formada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e por órgãos italianos — incluindo o Departamento Anticrime de Turim do ROS Carabinieri e a Diretoria Antimáfia do Ministério Público de Turim —, com suporte analítico da Europol.

O nome Eredità (“herança”, em italiano) faz referência direta à transmissão do controle das atividades criminosas aos sucessores dos mafiosos detidos. Os alvos poderão responder por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Fonte: Comunicação Social da Polícia Federal no Paraná

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