terça-feira, setembro 1, 2026
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Ex-líder de facção com histórico no Litoral é encontrado morto em presídio federal de Brasília

Marcos Silas Neves de Souza, o “Silas”, era apontado pelas forças de segurança como um dos articuladores do envio de cargas ilícitas via Porto de Paranaguá.

O traficante Marcos Silas Neves de Souza, de 42 anos, apontado como fundador da organização criminosa Cartel do Sul, foi encontrado morto em sua cela na Penitenciária Federal de Brasília no último domingo (30). As investigações preliminares da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) indicam suspeita de suicídio, pendente de laudo pericial oficial.

A morte do presidiário encerra a trajetória de uma das lideranças criminosas de maior impacto no estado do Paraná e com forte raio de ação na região do Litoral, especialmente em Paranaguá.

Conexão Paranaguá: o interesse estratégico no Porto

Investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público apontavam Paranaguá como um ponto estratégico central nas operações comandadas por Silas. Por conta da estrutura do Porto de Paranaguá — um dos maiores complexos portuários da América Latina —, a cidade era tratada pela cúpula da facção como rota fundamental para o transbordo de cargas de cocaína com destino à Europa e à África.

As forças de segurança identificaram que o grupo operava na cooptação de logística local e no envio clandestino de entorpecentes escondidos em contêineres e estruturas de navios de carga que partiam do terminal paranaense.

Rompimento com o PCC e expansão no Litoral

Natural do Paraná, Silas integrou a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado até romper com a facção paulista. Ao fundar o Cartel do Sul e se aliar ao Comando Vermelho (CV), ele travou disputas territoriais e operacionais no Litoral paranaense e catarinense para garantir a hegemonia das rotas de escoamento de drogas.

Prisão e patrimônio multimilionário

Silas estava preso desde 2021, quando foi capturado pela PF em São Paulo prestes a realizar cirurgias plásticas para mudar o rosto. Além das atividades logísticas no litoral paranaense, a PF descobriu que o dinheiro vindo do tráfico financiou a compra de mais de 260 imóveis de luxo no litoral de Santa Catarina registrados em nome de terceiros.

A segurança no sistema prisional federal e os desdobramentos sobre a sucessão na liderança do grupo criminoso seguem monitorados pelo setor de inteligência policial.

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