CORPUS CHRISTI 2021 – ENTREVISTA DE DOM EDMAR PERON, BISPO DE PARANAGUÁ

0
536

Please enter banners and links.

Dom Edmar Peron, bispo de Paranaguá e presidente nacional da Pastoral da Liturgia, fala sobre o valor da Solenidade de “Corpus Christi” e como vivê-la neste tempo de dificuldades e pandemia.

Pascom Diocese de Paranaguá – A Igreja celebra na segunda 5ª feira, após a solenidade de Pentecostes, neste dia 3 de junho, o dia que chamamos de forma popular como “Corpus Christi”, como é a denominação correta desta solenidade e quando foi iniciada na Igreja?

Dom Edmar – Trata-se da Solenidade do Santíssimo Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, foi instituída através do documento do Papa: Bula “Transiturus de hoc mundo” de 11 agosto 1264.

Pascom – Qual o valor litúrgico desta festa?
Dom Edmar – Antes do Concílio Vaticano segundo nós tínhamos duas festas uma para o Corpo do Senhor e outra para o preciosíssimo Sangue de Jesus. O Concílio unificou com a solenidade do Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo dando assim a visão mais integral do mistério: “Fazei isto em memória de mim”.
A procissão é colocada ao final da missa, isso nos ajuda a compreender que procissão eucarística e devoção eucarística sempre estarão ligadas à celebração eucarística, nunca pode ser tomadas separadamente.
As orações da missa deste dia, são do Missal de 1570. A oração inicial da missa apresenta a festa do Santíssimo Sacramento como Eucaristia “memorial” da Paixão do Senhor. A oração das oferendas aprofunda tomando a Eucaristia como “sacramento da unidade” e a oração após a comunhão toma Eucaristia como “prefiguração das alegrias eternas”.
É importante também recordar aquela compreensão que o Papa Bento XVI deixou na exortação apostólica “Sacramentum Caritatis” nº 66. Ele escreve que a celebração eucarística é o maior ato de adoração da igreja, quando prosseguimos a adoração realizada na missa, como a adoração pessoal, a comunitária e a procissão eucarística estamos prolongando e intensificando a celebração.

Pascom – Jesus Eucarístico pelas ruas das cidades é uma forte tradição assim como a confecção dos tapetes. Qual o valor destas ações e como elas podem ser realizadas de forma segura nesse tempo de pandemia?

Dom Edmar – Sobre este valor eu diria que poderíamos sintetizar em dois elementos: Demonstrar fé e homenagear o Senhor
– Proclamar publicamente a fé eucarística da igreja. A procissão eucarística realiza isso de um modo especial.
– Dar espaço ao carinho, à devoção, às homenagens que o povo, na sua simplicidade, no seu amor para com Jesus, realiza através dos enfeites que faz pelas ruas das cidades.

Pascom – Porque a Eucaristia é considerada vital: uma força para os cristãos?

Dom Edmar: É muita ousadia se eu quisesse sintetizar em poucos elementos a importância da Eucaristia, porém posso indicar alguns pontos que ajudam a refletir sobre esta importância.
Em primeiro lugar é importante recordar continuamente numa dimensão espiritual, que a celebração eucarística torna presente a salvação que Jesus já realizou pelo seu mistério Pascal. Sem esta consciência de que a missa torna presente, a cada momento, a salvação, nós poderíamos participar distraída e superficialmente da celebração eucarística.

Outro ponto é de São João Paulo II: se a igreja faz a Eucaristia, a Eucaristia faz a Igreja, no sentido de ela edifica a igreja, como sintetizada naquela expressão da oração eucarística: O Espírito Santo nos una num só corpo e num só espírito.

Um último elemento é da comunhão, que é feita com o Senhor. Nós entramos no mistério da vida de Jesus quando comungamos. Uma vida entregue como é dito na oração eucarística: “o meu corpo que será entregue, o meu sangue que será derramado…”. Esta vida “entregue” que vai modificando a nossa própria vida, quando passamos de atitudes egoístas, mesquinhas, para atitudes solidárias, compreensivas, atitudes de verdadeiro serviço e amor.
Esta comunhão se faz também na abertura para com aqueles com os quais Jesus quis se identificar no capítulo 25 do Evangelho de São Mateus: famintos, sedentos, presos, doentes, peregrinos, ou seja, os sofredores de cada tempo.
Assim, como gosta de enfatizar o Papa Francisco, nós não podemos separar a adoração do corpo do Senhor – corpo Eucarístico – do tocar a carne do Senhor, a carne viva nos irmãos e irmãs que sofrem. Estes são alguns elementos que ajudam a compreender que nós não podemos viver sem a celebração eucarística, como é a expressão dos Mártires africanos: “Sem a Eucaristia nós não podemos viver!”.

Pascom: E agora com a pandemia? Como demonstrar a fé e fazer as homenagens?

Dom Edmar: Em época de pandemia muitas coisas estão sendo modificadas para se adequarem às exigências sanitárias deste período. A CNBB ao falar das procissões da semana santa, o que certamente vale para “Corpus Christi”, pede para evitar as procissões visando a não aglomeração de fiéis e consequentemente não possibilitando possíveis riscos à saúde pública. Desse modo não é possível um ato grandioso como uma procissão eucarística como em outros tempos.
Cabe às comunidades diocesanas e paroquiais usarem de criatividade. Motivadas pela fé podem fazê-lo de outras maneiras. Não podem fazer tapetes pelas ruas, mas podem, por exemplo, enfeitar a frente, as janelas de suas casas, manifestando seu carinho e amor à Jesus Eucarístico e assim manter o clima festivo desta solenidade. Certamente pela criatividade, iluminada pela fé, se encontram maneiras de demonstrar que cremos na presença eucarística do Senhor, na Sua presença real. As comunidades podem também envolver as pessoas com aqueles gestos de socorro aos sofredores, que são o corpo vivo de Jesus Cristo, como ele mesmo quis no evangelho.
Deus os abençoe e ilumine com ideias e ações de amor ao próximo!

(Pascom – Diocese de Paranaguá)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here