Genival Lacerda, rei do duplo sentido, morre aos 89 anos de Covid-19 no Recife

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“Comedor de cuscuz com leite do peito da vaca e queijo de coalho não se derruba fácil”, repetia o cantor paraibano de forró Genival Lacerda, 89. Nesta quinta-feira (7,), a Covid-19 calou o rei do duplo sentido. Ele é autor, entre outros sucessos, de “Severina Xique Xique”, “Radinho de Pilha” e “De Quem É Esse Jegue?”.

Lacerda resistiu até onde deu. Com sobrepeso, hipertensão e diabetes, conseguiu sobreviver a um AVC, um acidente vascular cerebral, em maio deste ano. Por causa do coronavírus, estava internado desde o dia 30 de novembro. A morte foi confirmada por parentes nas redes sociais.

O músico trabalhou até antes da pandemia. No Carnaval do Recife, se apresentou com vigor ao lado do filho João Lacerda, que segue os mesmos passos do pai como cantor.

Lacerda morava no Recife há mais de 25 anos. Até antes da pandemia, costumava jogar seu dominó na avenida Boa Viagem na companhia de amigos.

Desde o início dos casos provocados pelo novo coronavírus, estava recolhido em casa, no bairro de Boa Viagem, na zona sul do Recife. Morava só com João Lacerda, um dos filhos.

Familiares relatam que ele começou a sentir os primeiros sintomas no dia 29 de novembro do ano passado. Estava ofegante e se sentindo indisposto. Foi levado a um hospital particular, onde foi detectada a infecção pelo novo coronavírus e internado no dia seguinte.

Contraparente de Jackson do Pandeiro -a irmã dele era casada com o irmão do Rei do Ritmo- Genival chegou a gravar, em 1998, um tributo em sua homenagem.

Mas foi a partir de letras com duplo sentido, por meio de parcerias com o compositor paraibano João Gonçalves, que ele explodiu.

Escutou, em 1975, o Brasil cantar o verso “ele tá de olho é na butique dela”, da música “Severina Xique Xique”. Vendeu mais de 800 mil cópias.

Depois veio “Radinho de Pilha”, com o refrão “ela deu o rádio e não me disse nada”. Sempre bastante ativo e atento à evolução tecnológica, fez uma espécie de atualização da música, em 2016, ao lançar o clipe de “Me Dê o Seu Wi-Fi”.

“Eu digito, boto a senha e não vejo nada demais”, completava o refrão.

A veia cômica do paraibano se confundia com a música. Na verdade, fazia parte dela. Contracenou com o ator Lúcio Mauro. Do programa de comédia em que os dois participaram juntos na televisão, surgiu o LP “As Trapalhadas de Cazuza e seu Barbalho”, em 1970.

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