MPPR em Paranaguá denuncia seis pessoas por tentativa de homicídio qualificado contra homem “condenado à morte” por “tribunal do crime”.

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O Ministério Público do Paraná, por meio da 6ª Promotoria de Justiça de Paranaguá apresentou no dia 26 de abril denúncia criminal contra seis pessoas por tentativa de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa do ofendido). A vítima foi “julgada” e “condenada” à morte pelos denunciados – só não morreu porque foi socorrida a tempo e hospitalizada.

Consta da denúncia que, em 17 de março, os seis denunciados, após terem ‘julgado’ e ‘condenado’ a vítima à morte por causa da suposta prática de um crime de furto, atribuíram a um deles a ‘execução da sentença de morte’ e que este então, usando uma arma de fogo, não apreendida, efetuou disparos contra o referido ofendido, causando-lhe lesões corporais. A vítima teria sido surpreendida com os tiros.

Cinco dos denunciados se encontram presos no Setor de Carceragem Temporária da 1ª Subdivisão de Polícia de Paranaguá. Um deles está foragido. O caso deverá ser julgado pelo Tribunal do Júri. As penas do crime de homicídio doloso são de 6 a 20 anos de reclusão.

Informações da Assessoria de Comunicação do MPPR.

RELEMBRE O CASO

Durante a quinta-feira, dia 11 de abril, a Polícia Civil do Paraná (PCPR), através de agentes da 1.ª Subdivisão Policial de Paranaguá (1.ª SDP), com o apoio de equipes do COPE – Centro de Operações Policiais Especiais, deflagrou a Operação “Adsumus III”, cumprindo 18 mandados judiciais contra integrantes do conhecido “Tribunal do Crime” – que consiste em uma organização criminosa que julga e penalizam aqueles que transgridem as normas do grupo, normalmente com a morte.

A ação teve como foco os bairros Porto Seguro, Vila dos Comerciários e Vila São Jorge.

Segundo a PCPR, sete pessoas foram presas na ação, entre elas quatro homens, e duas mulheres, que faziam parte do chamado “Conselho de Disciplina” da organização, responsável pelo julgamento. A execução das penas impostas aos transgressores era feita com requintes de crueldade e extrema violência, inclusive com asfixiamento e esquartejamento das vítimas;
A PCPR deflagrou as fases I e II da operação Adsumus no final do ano de 2018. A ações resultaram na prisão de 11 integrantes da mesma organização criminosa, que atuavam no bairro Porto dos Padres. O grupo era conhecido pela violência exacerbada com que praticavam os crimes.

DELEGADO NILSON DINIZ DESTACA IMPORTÂNCIA DA OPERAÇÃO

O delegado-adjunto e operacional da 1.ª Subdivisão da Polícia Civil de Paranaguá, Nilson Diniz, que comandou as investigações ressaltou a importância da operação, já que os indivíduos presos, são de alta periculosidade. “É uma operação de extrema importância em razão do alto nível de periculosidade das pessoas investigadas. São integrantes de organização criminosa, se intitulam disciplinas, integram um conselho de disciplina para julgar, sentenciar e até mesmo realizar a execução destas vítimas” destaca, ressaltando que os presos são pessoas incompatíveis com o convívio social.

As sete pessoas presas estão envolvidas em duas tentativas de homicídios registradas no mês de fevereiro e março. “Possibilitar a identificação destas pessoas, de oito alvos, e com base nestes elementos pedimos a prisão preventiva deles e com a expedição dos decretos prisionais, de onde foi realizada a terceira fase da Operação Adsumus. Até agora, dos oito mandados de prisão, sete foram cumpridos. Isto gera um índice de satisfação e produtividade de quase 85% da nossa operação”, completa Diniz.

A ação foi focada nos bairros Porto Seguro, Vila dos Comerciários e Vila São Jorge. “São células criminosas atuantes nestes locais pertencentes à mesma organização, só que em regiões diferentes e com crimes cometidos com o mesmo modus operandi. São tribunais formados por eles responsáveis pelo julgamento, sentenciamento e execução dessas vítimas. Em um dos casos, como foram dois homicídios tentados, a própria vítima auxiliou a PCPR na identificação dos autores”, explica, algo que foi aliado ao depoimento de testemunhas e trabalho de campo dos agentes. “Com a coleta de todos os elementos se apontou a autoria com convicção na direção dessas pessoas”, completa o delegado.

Nilson Diniz afirma que os responsáveis pelos assassinatos do “Tribunal do Crime” responderão por homicídio qualificado com uma pena que pode variar de 12 a 30 anos de prisão.

LIGAÇÃO COM VAZADAS

Segundo a PCPR, a organização criminosa responsável pelo “Tribunal do Crime” também possui relação com as vazadas de caminhões e roubo de fertilizantes na entrada de Paranaguá. “Os traficantes estão vendo nas vazadas uma possibilidade de alferir lucro. Os usuários estão praticando as vazadas e despejando carga dos caminhões em vias públicas. Eles pegam essa carga e vão até a boca de fumo e a trocam por droga. Essas pessoas, presas na data de hoje, estão receptando este produto da vazada e incentivando a prática deste delito”, explica Nilson Diniz.

De acordo com o delegado-adjunto da 1.ª SDP, esta é mais uma ação das autoridades que causa um duro golpe na criminalidade em Paranaguá. “Se juntam a outras ações realizadas pela Polícia Civil na semana passada que tiveram como consequência a apreensão de 10 toneladas de produtos de vazadas em Paranaguá”, complementa Diniz.

TRABALHO CONTRA TRIBUNAL DO CRIME PROSSEGUE

A Operação Adsumus é uma ação contínua da PCPR que seguirá investigando a ação criminosa em Paranaguá, entre elas o “Tribunal do Crime”. “Existem outras regiões que estão sendo investigadas e outros integrantes de facções. Esta é a terceira fase da operação e realizaremos outras. Com relação às vazadas a 1.ª SDP já tem um foco neste tipo de delito, já realizamos a prisão de dois receptadores e já estamos investigando outros indivíduos”, comenta o delegado.

Nilson Diniz pede para que a população colabore na identificação de depósitos de carga de vazadas em Paranaguá pelo telefone (41) 3420-3600 ou pelo Serviço de Denúncia Anônima pelo telefone 197. “As informações tem que chegar e estão chegando. Foi com estas informações que a PCPR apreendeu 10 toneladas de fertilizante e grãos roubados na semana passada. Continuamos contando com a colaboração da população parnanguara”, finaliza.

ADSUMUS
“A operação foi batizada como “Adsumus”, pois esta é uma palavra com origem no latim, que significa “estamos presentes”. O termo vem do verbo adsum que quer dizer estar presente, estar aqui ou estamos juntos. É usado com a intenção de marcar presença e atenção constante, bem como demonstrar prontidão e confirmar que se está atento aos acontecimentos”, explica a assessoria da Polícia Civil.

Com informações da PCPR

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